segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Insight sobre Leitura e Leitores - por Thiago Leite

Tenho chegado a uma conclusão ignóbil, e que este post sirva como uma espécie de grito contra esta praga que, comumente, uma pessoa que ama os livros precisa enfrentar neste mundo. O que gostaria de enfatizar é a vida interior que eles, os livros, ao mesmo tempo provocam e supõem. Esta vida interior é frequentemente insuportável aos de vida rasa. Os que leem são sempre os intelectuais desmancha-pr
azeres, os que fazem as perguntas mais importunas, os que não detestam ou que não evitam a solidão e não conseguem disfarçar um certo amargor e um certo pessimismo, não conseguem fazer de conta que a vida pode ser vivida sem pensar nos problemas não-resolvidos, insolúveis, da humanidade - a falta de justiça, o sonho vão do amor, a solidão, a vontade de conhecer que não se satisfaz, a miséria da vida que termina... e o desespero de saber que sua vida mede-se em anos, e a dos livros, em séculos. Dificilmente um grande artista é um sujeito otimista. Muito disto me incomoda, e é visto como uma espécie de doença ou praga a ser combatida de nossas vidas. O que se busca, aceitação? Não sei. Só, por vezes, um pouco de sensibilidade, talvez, resolveria. E não por acaso, a história vem nos dando grandiosas lições a respeito, como grandes e sérias cabeças foram dissipadas em prol de uma "sociedade harmônica" e "feliz". E finalizo com uma citação de William Burroughs, para arrematar este meu lamento: "Como a maioria dessas pessoas, vivo em contínuo estado depressivo. Quem tem alguma sensibilidade, vive assim. (...) somos virtualmente ameaçados a cada segundo".

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